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Direto da Redação

Análise: Raphinha muda de função no Barcelona e números mostram acerto de Hansi Flick

Brasileiro soma 14 gols em oito partidas na temporada e transformação em centroavante aumenta seu protagonismo no time catalão

Raphinha of FC Barcelona gives a thumbs up during the Joan Gamper Trophy match between FC Barcelona and Al Ahly SC at Spotify Camp Nou on August 19, 2026 in Barcelona, Spain.
© Getty ImagesRaphinha of FC Barcelona gives a thumbs up during the Joan Gamper Trophy match between FC Barcelona and Al Ahly SC at Spotify Camp Nou on August 19, 2026 in Barcelona, Spain.

Confesso que imaginava Raphinha novamente como um dos jogadores mais importantes do Barcelona nesta temporada, mas não esperava que Hansi Flick encontrasse uma maneira tão diferente de potencializar o brasileiro. A saída de Robert Lewandowski abriu uma lacuna importante no ataque e, em vez de simplesmente procurar outro centroavante para reproduzir o papel do polonês, o treinador decidiu mudar a característica do setor. 

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Isso porque o comandante ‘liberou’ o jogador para partir sempre dos lados e passou a aparecer muito mais centralizado. Os números ajudam a entender rapidamente o tamanho do impacto dessa escolha. Ele chegou a 14 gols e três assistências em apenas oito partidas nesta temporada, considerando todas as competições. 

Vale frisar que somente em LaLiga são 12 gols e três assistências em sete jogos, com o brasileiro liderando a artilharia da competição. É uma produção que obviamente impressiona até mesmo para alguém que já vinha de temporadas bastante participativas no ataque do Barcelona.

Mudança de posição ajuda Raphinha a marcar mais

Para mim, o aspecto mais interessante não está somente na quantidade de gols, mas na maneira como eles começaram a aparecer. Raphinha continua tendo mobilidade para sair da região central, atacar espaços e participar da construção, porém agora termina muito mais jogadas perto da área. Contra o Sevilla, isso ficou evidente, já que marcou com o pé direito, de cabeça e com o esquerdo na vitória por 3 a 1, completando um hat-trick perfeito.

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Essa capacidade de ocupar diferentes espaços também impede que a mudança transforme Raphinha em um atacante previsível. Ele não precisa jogar como um centroavante fixo para cumprir a função. Na minha visão, Flick percebeu justamente que poderia aproveitar a movimentação do brasileiro para construir um ataque diferente daquele que tinha com Lewandowski. O próprio treinador confirmou que a utilização como camisa 9 foi uma decisão da comissão técnica depois de avaliar as opções disponíveis.

Outro ponto importante é que não estamos falando de uma explosão restrita a uma partida. Raphinha marcou três vezes contra o Racing Santander e repetiu o feito diante do Sevilla, chegando a dois hat-tricks consecutivos em LaLiga. Segundo o próprio Barcelona, nenhum jogador conseguia isso na competição desde Antoine Griezmann, em 2017/18; pelo clube catalão, apenas Lionel Messi e Luis Suárez haviam alcançado essa sequência anteriormente.

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Também considero importante olhar além dos gols. Flick destacou recentemente o trabalho de Raphinha sem a bola e o classificou como um líder que se entrega completamente ao time. Isso ajuda a explicar por que sua importância não desaparece quando o Barcelona precisa pressionar, recuperar a posse ou mudar sua estrutura durante as partidas. A braçadeira de capitão apenas torna mais visível uma influência que hoje ultrapassa aquilo que aparece nas estatísticas.

Barcelona encontra solução dentro do próprio elenco

Talvez essa seja justamente a grande história deste começo de temporada. A saída de Lewandowski poderia obrigar o Barcelona a encontrar imediatamente outro jogador com características semelhantes, mas Flick escolheu um caminho diferente. Gabriel Jesus chegou e ainda recebe minutos gradualmente, enquanto Raphinha assumiu a região central e respondeu de maneira imediata. Para mim, é um bom exemplo de como uma mudança de função pode ser tão importante quanto uma contratação.

Ainda considero cedo para imaginar que Raphinha manterá uma média próxima de dois gols por partida durante toda a temporada. O que já parece possível afirmar é que o Barça encontrou uma nova maneira de aproveitar um jogador que já era decisivo. Raphinha não precisou abandonar suas principais características para virar centroavante; Flick simplesmente aproximou essas características do gol. Se essa versão continuar funcionando, o brasileiro pode terminar a temporada ocupando um espaço ainda maior no projeto esportivo do clube.

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